Roda Viva | Suzana Herculano-Houzel | 25/03/2013 | Bloco 2

Programa exibido em 25 de março de 2013

No centro do Roda Viva, neurocientista fala sobre o exercício e as capacidades do cérebro.

Transcrição

O Roda Viva do dia 25 de março recebeu a neurocientista Suzana Herculano-Houzel. Em entrevista, a especialista falou sobre o exercício cerebral e sua capacidade.

Suzana formou-se em Biologia Modalidade Genética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e seguiu especialização em neurociências: mestrado na universidade americana Case Western Reserve, doutorado na Pierre et Marie Curie e pós-doutorado no Instituto Max Planck, na Alemanha. A neurocientista vem divulgando suas pesquisas desde quando voltou ao Brasil, em 1999, por meio de sites, livros, artigos, veículos impressos e até mesmo na televisão.

Para Suzana, o que falta no seguimento são cursos de especializações com mais qualidade e investimento. “O Brasil tem que primeiro levar a pós-graduação mais a sério. Mas a nossa graduação é extraordinária”. A pesquisadora conta que nos Estados Unidos, bem como outros países da Europa, os cursos de pós-graduação são levados muito a sério, como mais ênfases em aulas expositivas, discussões profundas e grande carga de leitura. “A aula expositiva pode ser extraordinária”, ressalta a neurocientista como críticas ao modelo aplicado no país.

Já no quesito financiamento de pesquisas, Suzana define: “Não é grande coisa, mas também não é ruim. A gente consegue manter um laboratório, fazer pesquisas”. O grande problema não seria o local e infraestrutura de pesquisa, porém a falta de mobilidade por outros estados.

A educação ainda fraca no país continua sendo a raiz de todos os problemas, até o da ciência. Faltam profissionais qualificados, falta conhecimento. E o problema deve ser solucionado cedo, ainda nos primeiros passos do aprendizado – na formação do indivíduo. Para isso, a especialista explica que cada ser precisa de um método diferente, mas o fator principal ainda é a motivação – que tem que existir de ambos os lados, tanto do aluno quanto do professor. “O que move a gente é o interesse. É uma pena que o governo não tenha percebido isso na classe dos professores”.

Já quando o assunto foi a relação de mente e cérebro, a neurocientista discorre que uma coisa não se separa da outra, afinal o ser humano é resultado do seu repertório cerebral. “O seu cérebro tem a capacidade de controlar a si mesmo. Tudo o que vem a seguir só acontece se você tiver a ciência do que está ocorrendo. Mente é a capacidade de olhar para si mesmo. Você é o seu cérebro funcionado de si mesmo”, explica.

E para aqueles que esperam ansiosamente por receitas que façam milagres na memória, Suzana desmente os mitos que existem por aí. Segundo ela, a boa memória só se adquire praticando. “Não tem pílula mágica. Você fica melhor naquilo que faz. O cérebro tem áreas que precisam ser estimuladas”.

A especialista divulgou recentemente uma pesquisa feita por uma de suas alunas de graduação, na qual constatou que uma dieta adequada aumentou a quantidade de neurônios do seu humano em durante a sua evolução. Hoje cada indivíduo possuem em média 80 milhões contra os cerca de 30 milhões dos primatas. De acordo com o levantamento, o que mudou foi a ingestão adequada de alimentos com a quantidade necessária de calorias, proteínas e nutrientes após o surgimento do fogo como meio de preparo. “Nós chegamos ao ponto de ter as calorias que precisamos de uma forma muito mais acessível, mas no contraponto surge o problema da obesidade, onde se consome mais do que se precisa”.

Nesta edição, o programa apresentado pelo jornalista Mário Sergio Conti contou com a participação dos entrevistadores: Fernando Reinach, biólogo e colunista do Jornal O Estado de S. Paulo; Cristiane Segatto, repórter especial da Revista Época e colunista de Saúde da Época On-Line; Bernardo Esteves, repórter da Revista Piauí; Claudia Collucci, repórter especial do jornal Folha de S. Paulo; e Gláucia Leal, psicóloga e editora-chefe da Revista Mente & Cérebro; além do cartunista Paulo Caruso.

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