Roda Viva | Movimento Passe Livre | 17/06/2013 | Bloco 1

Programa exibido em 17 de junho de 2013

O programa traz dois líderes do Movimento Passe Livre: a estudante de direito Nina Cappello e o professor de História Lucas Monteiro de Oliveira. A edição repercute a onda de protestos em São Paulo contra o aumento da tarifa de ônibus e a situação do transporte público no Brasil.

Transcrição

Tudo começou com a insatisfação do aumento da tarifa no transporte público e em seguida todos os demais desgostos do povo brasileiro passou a ser também motivo de protesto. O resultado dessa insatisfação levou milhares de brasileiros às ruas nesta segunda-feira, 17. Em São Paulo, o Movimento Passe Livre contabilizou mais de 100 mil pessoas, mas de acordo com a Polícia Militar cerca de 30 mil estavam nas ruas.

Ainda nesta segunda, dois militantes do Movimento Passe Livre - a estudante de direito Nina Cappello e o professor de História Lucas Monteiro de Oliveira – estiveram no centro do programa Roda Viva para falar sobre os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus e a situação do transporte público no Brasil.

Nina afirma que o MPL tem um objetivo claro: a luta contra o aumento das passagens. Ela revela que Fernando Haddad convocou os militantes para participarem da reunião do Conselho da cidade, que acontece nesta terça-feira, 18. Mas Nina diz que ainda seria necessária uma reunião na quarta-feira, 19, com o prefeito. Durante os protestos desta segunda, Geraldo Alckmin anunciou à imprensa que estaria aberto a diálogos sobre tarifas. Enquanto não há de fato um acordo, a militante diz que as manifestações continuarão. “Se o governo não baixar a tarifa vamos continuar nas ruas”.

Nina revela que o movimento pretende realizar um novo protesto nesta terça-feira, 18. O evento deve ocorrer na Praça da Sé, a partir das 17h, caso o governo não volte atrás.

Lucas afirma que o objetivo do MPL é a redução da passagem, mas que defende a taxa zero. “É uma decisão política o aumento, assim com é uma decisão política a existência da tarifa. Há cidades no Brasil, como outros países, em que existe a tarifa zero”.

Ele critica ainda as empresas de ônibus que têm lucro garantido, no entanto falham com a prestação de serviço. Segundo Lucas, o governo poderia renegociar esses valores, porém as autoridades não demostram interesse. De acordo com o militante, as empresas estariam lucrando cerca de R$ 15 mil por veículo.

Nina não tem dúvidas de que o movimento ganhou força e que tem poder para mudar o valor da tarifa, assim como outros fatores referentes ao transporte público. Nas primeiras mobilizações, o Passe Livre somava, em média, 10 mil pessoas e hoje levou mais de 100 mil, mesmo com os atos de violência ocorridos no último dia 13. A militante justifica: “Só tiveram atos de violência quando houve repressão da polícia. Na quinta, assistimos a uma prática que muito vimos na época da ditadura: a detenção por averiguação”.

Lucas afirma que “a repressão fez as pessoas ficarem mais solidárias”. Além das redes sociais que serviram de ferramenta para disseminar o movimento, o militante ressalta que desde o dia 13 a postura da imprensa também mudou. “Quando atinge pessoas próximas, a gente tende a olhar diferente”, refere-se aos jornalistas que foram repreendidos pela polícia.

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