O Repórter Eco conversa com Cao Hamburguer, diretor do filme Xingu, que mostra a expedição Roncador-Xingú, liderada pelos irmãos Villas-Bôas na década de 40. Cao Hamburguer aposta no sucesso da produção e acredita na importância da história: “Tem um enredo muito emocionante, cheio de aventura, cheio de drama e cheio de romance (...) Uma história muito importante que o Brasil precisa conhecer”, define.
O Repórter Eco fala de uma pesquisa feita com consumidores em potencial. A pergunta feita pelo IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) foi: O que impede você de consumir produtos orgânicos? A principal reclamação foi a problemática da distribuição. Foi assim que o IDEC teve a iniciativa de mapear os pontos de vendas de orgânicos em 27 capitais, para facilitar o conhecimento e acesso do consumidor. No mapeamento, o instituto encontrou feiras especializadas em 22 das cidades pesquisadas.
Maior cidade do litoral paulista, Santos tem história e muitos atrativos. São sete quilômetros de praia, embelezados por este enorme jardim que se estende pela orla. Embora a Sabesp, a companhia de saneamento ambiental do estado, afirme que 98% do esgoto é coletado e todo ele tratado, nem sempre a qualidade da água está boa. Para evitar que folhas de árvores, pontas de cigarro e outros resíduos que estão nas ruas impeçam que a água dos canais siga pela tubulação para o tratamento, a Sabesp usa as chamadas ecobarreiras. Foi idéia dos funcionários utilizar garrafas de PET, aquelas de refrigerante, com um pouco de areia dentro, para fazer esta barreira física que facilita a retirada do lixo.
O Vale que segue o rio Paraíba do Sul, se espalha por três estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, abriga 61 municípios e tem um parque industrial importante, a ponto de representar doze por cento do PIB-Produto Interno Bruto Nacional. Mas existe outra riqueza no Vale do Paraíba: as paisagens e o modo de vida das pessoas da região.
Repórter Eco desta semana traz uma reportagem sobre o programa Sr. Brasil, da TV Cultura, o primeiro programa da televisão brasileira a ter um cenário certificado FSC®. O selo, obtido no final de março, é um atestado da origem responsável da madeira usada em sua construção. Ao Repórter Eco, o apresentador Rolando Boldrin fala sobre a novidade. "Ter um cenário certificado no meu programa é uma glória", declara.
São preocupantes algumas notícias sobre a questão de obras no setor de recursos hídricos no Semi-Árido brasileiro.
A primeira delas é na área do megaprojeto de transposição de águas do Rio São Francisco. Numerosos estudos mostraram inutilmente, durante décadas, que não é essa a melhor solução para prover de água regiões carentes e isoladas, que sofrem com as secas.
Depois de décadas de discussões na Justiça e na sociedade, parece aproximar-se de decisão a polêmica questão do uso e exportação de amianto pelo Brasil. A Procuradoria Geral da República já apresentou ao Supremo Tribunal Federal parecer em que a pede a declaração de inconstitucionalidade de uma lei de 1995 que permite a exploração, utilização industrial e comercialização desse produto.
Os dramas de cada dia estão mostrando cada vez mais que a Região Metropolitana de São Paulo precisa com urgência de um plano diretor integrado para enfrentar o problema de inundações em toda a área. Não basta tentar enfrentar o problema aqui e ali, episodicamente.
A questão começa nas redes de drenagem, que, mesmo onde existem, são insuficientes para o volume de água. Além disso, boa parte está com sua capacidade reduzida pelo lixo que chega com as águas.
É muito inquietadora a informação do plano de drenagem da cidade de São Paulo, de que a cidade só se livrará em 2040 de enchentes provocadas por chuvas. É tempo demais e sofrimento demais até lá.
Só os rios Tietê e Pinheiros recebem mais de 4 milhões de metros cúbicos de sedimentos a cada ano, que reduzem a capacidade de os leitos receberem as águas nos momentos de chuvas fortes. E a retirada de sedimentos não tem ultrapassado um milhão de metros cúbicos por ano.
As discussões provocadas pela proposta de novo Código Florestal trouxeram à tona teses importantes. Uma delas, enfatizada pelo prof. Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Ministério da Ciência e Tecnologia, é de que o Brasil precisa caminhar em direção a uma economia baseada no conhecimento da natureza - porque é um país privilegiado em recursos naturais, que são hoje o fator escasso em todo o mundo.
Muitos desafios estão pela frente no Brasil no ano que se inicia. O primeiro está na definição de caminhos eficientes para que o país reduza suas emissões de poluentes que contribuem para mudanças climáticas. Já estamos entre os cinco maiores emissores no mundo, com mais de 10 toneladas anuais por habitante. E cientistas temem que facilidades abertas pelo novo Código Florestal possam intensificar essas emissões.
2011 termina com mais um motivo para inquietação, já que a reunião da Convenção do Clima na África do Sul não conseguiu aprovar nenhum compromisso obrigatório para os países reduzirem suas emissões de poluentes que agravam mudanças climáticas.
Quem se interessa por notícias a respeito da possibilidade de vida fora do planeta Terra deve estar vivendo certa perplexidade.
Um porta-voz do governo norte-americano que foi da área espacial, respondendo a um requerimento de 17 mil cientistas que pediam a liberação de documentos secretos sobre extraterrestres, informou não haver evidência de vida fora do nosso planeta ou de contatos entre humanos e seres de outros lugares no espaço.
São um passo perigoso as portarias do Ministério do Meio Ambiente, que reduzem drasticamente, para 90 dias, os prazos do Ibama, da Fundação Nacional do Índio, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - o IPHAN e da Fundação Palmares para decidir em processo de licenciamento de usinas hidrelétricas, portos, rodovias, linhas de transmissão de energia e exploração de petróleo e gás. Além disso, esses órgãos só poderão pedir uma vez informações aos empreendedores.
Tanto a Organização Mundial de Saúde como o Ministério brasileiro da Saúde desencadearam campanhas para combater a obesidade no mundo e no país - que constitui um dos mais graves problemas de saúde hoje, que agrava as questões em várias áreas.
No Brasil, dizem as autoridades do setor que mais de metade de população está com peso acima dos limites aconselháveis. E 13 em cada 100 pessoas são obesas - aí incluídos adolescentes e crianças.
O mundo vem ficando cada vez mais complicado, com a possibilidade de quebras de sigilo, graças ao uso da internet, em áreas de governos, militares, espionagem de negócios - de tudo. Agora, vêm notícias de que a internet está sendo usada também para operações delicadas e preocupantes na área das biotecnologias.
Já há alguns anos, a Comissão Mundial de Barragens vem advertindo para os problemas que podem ser gerados por essas construções. E lembrando que há mais de uma década já existiam no mundo, só de barragens com mais de 15 metros de altura, cerca de 45 mil. Hoje são muitas mais. E a quantidade de água retida nesses reservatórios é três vezes maior que o fluxo de todos os rios do mundo.
Mas a cada dia surgem mais problemas.
O governo federal está devendo ao país um esclarecimento sobre a polêmica questão da incineração de lixo.
O projeto da Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovado no ano passado pela Câmara dos Deputados, previa que a incineração só deveria ser adotada como última hipótese, se não houvesse possibilidade de redução do lixo, reutilização ou reciclagem de materiais.
Não chegam a surpreender as notícias de que está sendo desativado o projeto de despoluição do rio Pinheiros, em São Paulo, pelo método de flotação - que não funcionou; e que em 20 anos conseguiu-se pouco em matéria de desassoreamento do rio Tietê, embora tenha melhorado a qualidade da água do rio, com a ampliação das redes coletoras de esgotos e construção de novas estações de tratamento. Ainda assim, muito esgoto continua chegando ao rio Tietê.
Durante o ano passado, foram recolhidas no Brasil oito milhões de pilhas e baterias, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Mas foram recicladas apenas oito mil - isto é, mil vezes menos.
Por um lado, é um avanço o recolhimento, já que pilhas e baterias fazem parte do chamado lixo tóxico, muito perigoso para seres humanos e para o meio ambiente. Mas por outro é preocupante que só se recicle um número mil vezes menor que o recolhido.
Quem já se espantava com o número de espécies vivas no planeta está agora mais surpreso: estudo do programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente aponta que há na Terra mais que o dobro das 3,1 milhões de espécies vivas arroladas até agora. São na verdade 8,7 milhões de espécies, diz o estudo; 6,5 milhões em terra e 2,2 milhões nos oceanos. Mas perto de 90% de todas elas ainda precisam ser descritas e catalogadas.
Duas boas notícias: a Caixa Econômica Federal não financiará mais a compra de imóveis em bairros sem sistemas de água e esgotos. E o programa de cisternas de placa no Semiárido brasileiro está sendo premiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. A notícia sobre os financiamentos é importante para estimular o avanço do saneamento no Brasil, onde quase metade das residências não está conectada a redes de esgotos. E precisa ser ligada, não mandar esgotos para fossas.
Estudo da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, está afirmando que o fenômeno climático El Niño dobra o risco de guerras civis em 90 paises tropicais, porque provoca perdas mais acentuadas em lavouras, maior disseminação de doenças infecciosas e outros problemas. El Niño espalha ar seco e quente pelo planeta a cada quatro anos. E grande parte dos conflitos civis entre 1950 e 2004 teve essa causa.
O Brasil precisa fazer um esforço muito e forte e urgente na área do saneamento básico. É inadmissível que metade da população brasileira continue a não contar com redes de coleta de esgotos em suas casas.
Que cerca de 70 por cento dos esgotos que são coletados não recebam nenhum tratamento e assim sejam devolvidos aos rios, onde são a causa mais forte de poluição. E que, por isso , cerca de 60 por cento das crianças internadas em hospitais públicos tenham doenças transmitidas pela água.
Administradores públicos e legisladores precisam estar atentos. A crise ambiental e de recursos naturais que o mundo enfrenta certamente exigirá mudanças drásticas nas políticas e nos modos de viver em toda parte. Mas também já há tecnologias disponíveis, que podem reduzir imediatamente a extensão dos problemas, enquanto não se chega a mudanças mais radicais.
A ONU está alertando: milhões de pessoas poderão morrer na pior seca em 10 anos no chamado Chifre da África - Djibouti, Etiópia, Quênia, Somália, Uganda e no recém-emancipado Sudão do Sul. Já há mais de 500 mil pessoas em campos de refugiados, 10 milhões de pessoas passando fome. Além disso, no Sudão do Sul dois milhões de cristãos e animistas morreram em conflitos com os islamitas do Norte.
Voltam a preocupar muito os índices de poluição do ar por materiais particulados. Na cidade de São Paulo, o mês de julho foi o pior em três anos. E as emissões por veículos respondem por até 80 por cento dessa poluição, uma das causas principais de até duas mil mortes por ano na cidade em consequência de problemas pulmonares.
Apesar da gravidade da situação, pouco se avança em toda parte no controle da poluição por automóveis e principalmente motocicletas.
Uma advertência de especialistas da Universidade de São Paulo precisa ser levada a sério e exige providências urgentes: o uso de água do Aqüífero Guarani pode tornar-se inviável em 50 anos, pois o consumo é 13 vezes maior que a recarga. E pelo menos 100 cidades brasileiras são abastecidas por esse Aqüífero subterrâneo, que vai do Centro-Oeste ao Sul do país e se estende pelo Uruguai, Argentina e Paraguai.
Merece muito apoio a decisão do governo federal, de criar o Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, que funcionará em Cachoeira Paulista. Inicialmente, ele fará previsões e alertas para 25 cidades, com 12 horas de antecedência para a possibilidade de inundações e de duas a seis horas para deslizamentos de encostas e topos de morros, com perigo para as populações.
É curioso: enquanto vários relatórios internacionais mostram a situação cada vez mais difícil da pesca no mundo - com pelo menos um quarto dos estoques pesqueiros já esgotados e metade aproximando-se disso - , no Brasil o Ministério da Pesca insiste em que o país será um dos maiores produtores no mundo, multiplicando por dez a captura, segundo a ministra que deixou o cargo há poucas semanas.
A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou projeto de lei no mínimo polêmico - que proíbe casas de diversão noturna de comercializar bebidas em garrafas de vidro, para impedir que sejam usadas como armas em conflitos.
É uma decisão questionável, por muitos motivos: primeiro, não assegura que os briguentos não utilizem outras armas; segundo, aumentará o consumo de garrafas de pet ou de latas - e metade do pet no Brasil não é reciclado.
São muito preocupantes as últimas notícias na área do clima. Depois de dois anos sem aumento das emissões de gases poluentes no mundo, por causa da crise econômica, o último balanço revela que em 2010 essas emissões de dióxido de carbono cresceram 5 % e chegaram a 30,6 bilhões de toneladas. O setor da energia - que inclui indústria e transportes - responde por mais de 60 % do total. O desmatamento por quase 20 % .A agricultura por 14,6 %.E o lixo por 3,6 %.
Está gerando enorme polêmica a notícia de que a Comissão Nacional de Energia Nuclear pode depositar em Abadia de Goiás, a 27 quilômetros de Goiânia e 200 de Brasília, o que ela chama de rejeitos radiativos de média e baixa intensidade das usinas nucleares de Angra 1 e 2. Os goianos, principalmente, estão revoltados, porque o lugar cogitado é o depósito de mais de 6 mil toneladas de resíduos contaminados por algumas gramas de césio 137 num acidente em 1987.
Continua a provocar muita discussão o projeto de mudanças no Código Florestal brasileiro, aprovado na Câmara dos Deputados e que ainda terá de passar pelo Senado e pela sanção da presidência da República.
De fato, algumas das modificações aprovadas devem preocupar muito.
Continua a provocar muita discussão o projeto de mudanças no Código Florestal brasileiro, aprovado na Câmara dos Deputados e que ainda terá de passar pelo Senado e pela sanção da presidência da República.
De fato, algumas das modificações aprovadas devem preocupar muito. Como a anistia para proprietários que não mantiveram reserva legal nas propriedades.
Por mais difícil que seja o tema, é preciso encará-lo de frente: a Organização Mundial de Saúde está alertando que a radiação eletromagnética associada ao uso de telefone celular pode, possivelmente, provocar câncer, segundo as conclusões de 31 cientistas de 14 países que se reuniram na França para rever os estudos nessa área. E por isso, a questão precisa ser mais estudada. Hoje, 5 bilhões de pessoas no mundo usam celulares.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, encerrou-se no final de abril o prazo para que todos os Estados e o Distrito Federal implantem sistemas de inspeção ambiental de veículos, para coibir a emissão de gases e partículas poluentes, além de ruídos.
É importante, mas convém esperar pelos resultados concretos, porque a obrigatoriedade existe desde a década de 90, mas poucos lugares obedeceram, envolvidos na disputa entre Estados e municípios.
Relatórios da ONU dizem que a situação continua muito grave na área dos maiores problemas do mundo: mudanças climáticas e consumo de recursos naturais além da capacidade de reposição do planeta. Já se sabe que não haverá acordo este ano em mais uma reunião da Convenção do Clima; muitos países já dizem que o caminho não é esse e sim o de legislações nacionais. As emissões de gases poluentes que intensificam o efeito estufa continuam aumentando.
O barulho urbano pode agravar muitas doenças humanas.
Os projetos de construção de hidrelétricas continuam gerando muitas polêmicas
Congresso adia novamente a votação do Código Florestal
Estudo alerta: alterações no clima da Amazonia podem reduzir em até 80% a vasão do Rio Xingu
O impacto das alterações do clima sobre a produção mundial de alimentos
Começa a tomar corpo em áreas da ciência, das artes, do jornalismo e outras um movimento para que o Parque Nacional do Xingu seja reconhecido pela UNESCO como patrimônio histórico, cultural e ambiental da humanidade. O Parque está completando cinqüenta anos, criado que foi em 1961 por proposta dos irmãos Villas Boas, reconhecida pelo então presidente Jânio Quadros.Seria importante o reconhecimento. Arqueólogos já documentaram no Xingu vestígios de culturas ali estabelecidas há mais de mil anos.
A cada dia, aperta-se o cerco sobre o consumo de cigarros no mundo - porque a Organização Mundial de Saúde diz que morrem cinco milhões de pessoas por ano em consequência dos problemas decorrentes desse hábito.
Agora, é Nova York que aumenta suas restrições. Ali já era proibido fumar em bares e restaurantes, sob pena de multas pesadas. Há poucas semanas, a Câmara Municipal proibiu que se fume nos 1700 parques da cidade e em 22 quilômetros de praias.
Não são apenas desmoronamentos e inundações os principais prejuizos com a intensificação de chuvas em conseqüência de mudanças climáticas. Vários estudos estão mostrando também o agravamento de doenças com o deslocamento de vetores de doenças que estavam confinadas em matas ou nas águas.
Não bastasse a notícia de que o desmatamento voltou a aumentar n Amazônia no segundo semestre do ano passado, novos problemas surgem no horizonte.
Os projetos de novo Código Florestal intensificarão o desmatamento nessa e em outras áreas ? A intenção do governo federal, de facilitar os licenciamentos ambientais de obras , inclusive na Amazônia, abrirá caminhos para outras perdas ? E a anunciada intenção de ampliar os plantios de soja e milho no Cerrado, além das pastagens, para aproveitar o mo
Já se dá como certo que o Brasil, além de implantar a usina de Angra 3, em construção, terá pelo menos mais quatro usinas nucleares na região do Rio São Francisco - selecionadas entre quarenta locais disponíveis. E pretenderia associar-se à Argentina para produzir urânio enriquecido.
Deveríamos ir devagar com o andor, como diziam os antigos. O formato nuclear é a forma mais perigosa de gerar energia, dizem os cientistas. Sujeita a acidentes desastrosos.
Anuncia-se que está em estudo no governo federal um projeto que abriria terras indígenas a projetos de turismo, em troca de pagamento às comunidades das 650 terras reconhecidas. É um tema que precisa ser tratado com muito cuidado.
Chefes indígenas muito respeitados lembram que os jovens, em grande parte, depois que passaram a ter contatos com as comunidades brancas, já não querem viver como índios.
É incompreensível a recusa do setor de energia do governo federal, de dialogar com a sociedade e cientistas a respeito da necessidade - ou não - de implantar novas grandes hidrelétricas no país, principalmente na Amazônia.
Muitos estudos científicos dizem que o país pode tranquilamente economizar até 30 por cento da energia que consome hoje, com programas de conservação e eficiência - tal como fez no "apagão" de 2001.
A população mundial está entrando na casa dos 7 bilhões de pessoas, mais de metade das quais vivendo em áreas urbanas. E embora a taxa de fertilidade já esteja abaixo de dois filhos por mulher em idade fértil - que é menor que a taxa de reposição da população, de dois filhos por casal -, o número de pessoas no mundo continuará a crescer. Segundo a ONU, em 2050 estará entre oito e meio e nove bilhões de habitantes.Porque é muito grande o número de mulheres em idade fértil.
O Brasil tem muito com que se preocupar neste Ano Internacional das Florestas, como 2011 foi declarado pela ONU. Porque, segundo o instituto Imazon, que faz o monitoramento da Amazônia, o desmatamento ali, entre agosto do ano passado e julho próximo, deverá chegar a 7.500 quilômetros quadrados, mais que nos 12 meses anteriores, quando foi de 6.450 quilômetros quadrados.
Algumas notícias na área do clima no Brasil despertam esperanças. Uma delas é que o cientista Carlos Nobre vai dirigir a Rede Clima, que junta mais de 60 instituições e quase 500 cientistas, para comandar políticas e programas de desenvolvimento científico para os oceanos, biodiversidade, hidrologia, meteorologia e mudanças climáticas. E um dos primeiros caminhos será ampliar para o Cerrado o mapeamento que já se faz na Amazônia.
Ao chegar aos 457 anos, a cidade de São Paulo tem algumas decisões graves e urgentes para tomar.E a primeira delas será ter uma macropolítica que responda: vai-se continuar permitindo a expansão da cidade, que já tem problemas tão graves ? Ou vai-se partir para uma descentralização radical da administração, para que os administradores estejam bem perto de cada problema em cada região ?
São muito preocupantes as notícias de que nos últimos seis anos a taxa de desemprego entre os 20 por cento mais pobres da população brasileira aumentou de 20,6 para 26,7%. Enquanto isso, a desocupação na faixa de renda maior caiu de 4,04 para 1,7%.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e o IBGE, o aumento do desemprego entre as pessoas mais pobres se deve à baixa escolaridade, num momento em que a procura de empresas é por trabalhadores qualificados.
Felizmente, alguns progressos importantes estão acontecendo na Amazônia.
O primeiro deles é a própria queda do desmatamento, devido às exigências de certificação da carne e da madeira, além da fiscalização mais efetiva. Outro avanço importante foi a decisão do Patrimônio Histórico da União, de tombar a área do Encontro das Águas, em Manaus, um lugar belíssimo onde se pretendia implantar um porto.
Há muitas tarefas urgentes e muito relevantes à espera do Brasil em 2011. E a primeira delas será a decisão sobre o código florestal.
A chamada bancada ruralista no Congresso insiste em mudá-lo, para reduzir as áreas obrigatórias de reserva em florestas e outros biomas, anistiar desmatadores, diminuir áreas de preservação permanente etc. Tudo isso poderá ter conseqüências muito graves, como a própria ministra do Meio Ambiente tem advertido.
2010 termina com uma pergunta intrigante: por que os chamados temas ambientais, que foram tão fortes no primeiro turno da eleição presidencial, desapareceram no segundo turno ?
Será uma pena se continuarem a ser considerados secundários. Porque as questões no país continuam graves. A começar pela área do saneamento, onde metade da população continua sem redes de coleta de esgotos e milhões de pessoas ainda não recebem água tratada.
Continuam difíceis os tempos para a proteção de florestas, recursos hídricos e áreas de preservação permanente no Brasil. Não bastassem as modificações no Código Florestal que a bancada ruralista tenta introduzir no Congresso Nacional, com apoio de outros setores, agora o Estado de Mato Grosso está liberando 156 mil quilômetros quadrados de seu território para a agricultura e a pecuária, equivalentes a mais de metade do Estado de São Paulo.
Representantes de 193 países consideraram uma grande vitória as resoluções aprovadas na reunião da Convenção da Biodiversidade em Nagoya, no Japão. Entre outros pontos, foi aprovada a decisão de até 2020 aumentar para 17% o total de áreas terrestres do planeta protegidas por lei. E para 10% as áreas marinhas. Hoje, as áreas terrestres protegidas estão em 13%. E as marinhas em menos de um por cento.
Enquanto se agravam a cada dia as informações sobre os problemas dos oceanos e também das espécies mais pescadas no Brasil, o Ministério da Pesca continua a anunciar planos de expandir em até dez vezes o volume pescado em terra e em aquiculturas nas águas interiores.
Segundo a Organização para a Agricultura e a Pesca, que é um órgão da ONU, três quartos das espécies de peixes capturados no mundo estão próximas de esgotamento.
Um novo alerta está sendo lançada por várias organizações não-governamentais: estão sendo planejadas mais de cem usinas hidrelétricas para a bacia do Alto Rio Paraguai. E suas barragens podem alterar muito o regime de cheias e vazantes, que é vital para o Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. E para os peixes.
Mais um relatório científico traz preocupações novas em relação às mudanças climáticas. Cientistas norte-americanos e canadenses, em estudo na revista "Science", afirmam que mesmo sem nenhuma fábrica poluente nova e nenhum automóvel novo, as emissões de gases nas próximas décadas elevarão a temperatura da Terra em mais de dois graus. E isso terá conseqüências muito graves.
O buraco na camada de ozônio, uma grave ameaça para a humanidade, deixou de aumentar na última década - anunciaram a Organização Meteorológica Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. E essa notícia traz lições importantes.
É quase inacreditável: diz o IBGE que em quase 45 por cento dos municípios brasileiros - ou 2.945 - ainda não existem redes coletoras de esgotos. E que ainda há 33 municípios que não têm serviço de abastecimento de água à população.
No Piauí, Pará e Maranhão, mais de 90% dos municípios não têm rede coletora de esgotos. Com isso, no país, mais de 30 por cento dos esgotos gerados não são coletados. E os dois terços dos esgotos totais coletados são de menos de 30 por cento dos nossos municípios.
Agora em outubro, vai-se tentar mais uma vez, no Japão, um acordo que permita reverter o atual quadro de perda dos recursos naturais, que é, junto com as mudanças do clima, um dos dois mais graves problemas globais. Segundo o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, esses dois problemas ameaçam a sobrevivência da espécie humana.
Já estamos consumindo, no mundo, mais de 30 por cento além da capacidade de reposição do planeta.
O Brasil já é um país privilegiado em matéria de recursos hídricos - tem quase 13 por cento de toda a água que corre pela superfície da Terra. E ainda se anuncia que duas universidades federais confirmam agora a existência de mais um aqüífero subterrâneo, maior que o Aqüífero Guarani - é o Aqüífero de Alter do Chão, que se estende pelo subsolo do Pará, Amazonas e Amapá.
Quando se pensa no futuro do país, é preciso pensar também nas gerações que vão ocupá-lo - que precisarão ser muito competentes. Mas é muito inquietante a situação dos jovens.
As últimas pesquisas dizem que embora o número de empregos formais no país tenha crescido quase 5 por cento no ano passado, para os jovens de 18 a 24 anos esse número só aumentou metade disso.
A cada dia, tornam-se mais fortes as evidências de formatos de vida fora da Terra - a ponto de o famoso físico Stephen Hawkings dizer que é perfeitamente racional admitir que possam existir outros seres inteligentes no espaço. Mas ele diz que teme a possibilidade de contato com esses seres. A seu ver, ele seria algo tão danoso quanto foi para os nativos a chegada de Colombo à América.
São importantes as conclusões da conferência internacional sobre desertificação realizada em Fortaleza. Elas apontam para caminhos adequados no enfrentamento desse grave problema universal.
Mais de 2 bilhões de pessoas no mundo vivem nas áreas secas, que podem desertificar-se, e que são quase metade da superfície da Terra - inclusive na América do Sul e no Brasil. A cada ano, mais 60 mil quilômetros quadrados entram em processo de desertificação.
É difícil até de acreditar. Mas está em andamento um processo para implantar um terminal portuário ao lado do Encontro das Águas, onde o rio Negro se encontra com o Solimões para formar o majestoso rio Amazonas.
Ali, ao lado de Manaus, as águas escuras do Negro caminham ao longo de quilômetros paralelas às águas barrentas do Solimões, sem se misturar. Um espetáculo que fascina e atrai pessoas do mundo todo. E que pode ser muito prejudicado pelo projeto do porto.
É fundamental que a sociedade pressione a Câmara dos Deputados e o Senado, para que não aprovem mudanças no Código Florestal propostas pelo deputado Aldo Rebelo, do PC do B, à Comissão Especial de Meio Ambiente da Câmara, e que ali têm forte apoio da chamada bancada ruralista.
Afinal, foi sancionada pelo presidente da República a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que levou vinte anos sendo discutida no Congresso Nacional.
É um documento importante, porque estabelece princípios reguladores para essa área do lixo. Como os inventivos à reciclagem e às cooperativas de catadores; a adoção da logística reversa, que envolve na destinação de resíduos toda a cadeia do lixo - desde os fabricantes e comerciantes aos consumidores e governos.
É muito preocupante: o decreto presidencial que regulamentou a Lei do Saneamento Básico prorrogou de 2010 para 2014 o prazo dos municípios para criar planos de saneamento.
É preocupante porque cerca de metade dos brasileiros não dispõem em suas casas de redes de coleta de esgotos. E quase 20 milhões de pessoas não recebem água tratada.
Voltou a pegar fogo a discussão no Brasil a respeito de alimentos geneticamente modificados - os transgênicos.
Várias instituições - inclusive a Embrapa Arroz e Feijão - e organizações de agricultores se manifestaram contra a liberação, para plantio, de sementes modificadas de arroz, que resistem a um herbicida produzido por uma única empresa.
A administração pública brasileira precisa correr muito para recuperar o tempo perdido na área das mudanças do clima e evitar novas catástrofes como as de Alagoas e Pernambuco.
Há várias décadas que a Convenção do Clima vem alertando para a necessidade de políticas de adaptação às mudanças climáticas. Que impeçam a ocupação de áreas sujeitas a desabamentos e deslizamentos.
É preocupante que as obras de implantação da usina nuclear Angra 3 se desenvolvam ignorando advertências e cuidados indispensáveis. O Ministério Público Federal, por exemplo, pediu à Comissão Nacional de Energia Nuclear e à Eletronuclear que suspendam as obras de Angra 3 enquanto não for concluída a análise de segurança e de possibilidade de acidentes graves no projeto.
O Brasil vai apresentar no Japão em outubro, neste Ano Internacional da Biodiversidade, uma proposta de conservação das espécies vegetais e animais, que continuam a extinguir-se em ritmo muito preocupante. As metas assumidas para o mundo todo em 1992 não foram cumpridas. E as perdas, inclusive econômicas, são muito preocupantes.
Duas questões complicadas se colocaram para o Brasil após o vazamento de petróleo numa extração ,no Golfo do México, o mais grave acidente ambiental da história dos Estados Unidos. A primeira questão é a de saber o que faremos para impedir que acidentes como esse se repitam nas extrações de petróleo que já ocorrem em águas oceânicas brasileiras e principalmente nas futuras extrações na área do pré-sal. A segunda é definir a estratégia brasileira em relação ao petróleo.
É preciso prestar atenção a algumas informações que sugerem a retomada dos ciclos de desmatamento na Amazônia.
Embora as últimas comunicações do Ministério do Meio Ambiente digam que o desmatamento nos últimos meses é menor que o de igual período do ano passado, há divergência com outros dados colhidos por institutos como o Imazon, que usam métodos diferentes. Também o nível de cobertura por nuvens em certos períodos pode ocultar a avaliação de certas situações.
Voltaram a se incendiar as discussões sobre custos ambientais e sociais embutidos nas exportações de carnes brasileiras, e que não são remunerados pelos países industrializados que as importam.
O último balanço divulgado pelo IBGE mostra que o Brasil abateu no ano passado quase 30 milhões de bovinos, quase 31 milhões de suínos e mais de 4,7 bilhões de frangos - e a maior parte disso destinada à exportação.
Uma boa notícia: O BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico - começou a financiar projetos para manutenção e conservação de redes nas cidades brasileiras.
É uma decisão muito importante. Porque as cidades brasileiras, principalmente as grandes, estão perdendo de 40 a 45 por cento da água retida em barragens, transportada por adutoras e que sai das suas estações de tratamento, depois de pesados custos.Quase toda essa perda se deve a vazamentos e furos.
Com várias áreas do Nordeste brasileiro, principalmente no Ceará e Piauí, enfrentando o problema da seca e perda de safras, há poucas semanas comemorou-se mais um Dia da Caatinga.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, esse bioma já perdeu a vegetação nativa em quase metade de sua área de mais de oitocentos mil quilômetros quadrados - ou onze por cento do território brasileiro, onde vivem 23 milhões de pessoas, metade das quais nas zonas rurais.
O desastre no golfo do México é mais uma catástrofe que vem de longe. E registra, por exemplo, o grande vazamento de petróleo no Alasca, em 1989. Outro derrame na costa da Galícia espanhola, que até hoje tem graves consequências na pesca na Europa. Ou o chamado desastre de Bhopal, quando o vazamento de 20 toneladas de pesticida numa indústria na Índia matou 20 mil pessoas e deixou 150 mil com graves doenças. No Brasil mesmo, já tivemos problemas graves nessas áreas.
A área dos agrotóxicos, que sempre foi polêmica, está de novo agitada.
Neste Ano Internacional da Biodiversidade - criado pela ONU - continua difícil um acordo entre países detentores dos recursos naturais e países industrializados, no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica.
Cientistas chegaram muito perto de simular o Big Bang, a grande explosão que deu origem a criação do universo.
A Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou uma proposta de Política Nacional de Resíduos.
É muito preocupante para o Brasil o resultado de um estudo do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica, dos Estados Unidos, feito durante mais de 50 anos, de 1948 a 2004, sobre alguns dos maiores rios do mundo.
O Brasil continua com déficits muito graves na área do saneamento. Cerca de metade das pessoas não dispõem de redes de coleta de esgotos em suas residências.Menos de 30 por cento do que é coletado recebe algum tratamento - o resto é despejado em rios e córregos. E quase 20 milhões de pessoas também não recebem água tratada em suas casas.
Pois é. Estamos metidos numa polêmica sobre o clima, com os chamados cientistas céticos achando que a ONU lhes deu razão ao nomear um painel de academias nacionais de ciências que nos próximos meses dirá se o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o órgão científico da convenção do clima, cometeu erros ou enganos em seus diagnósticos sobre mudanças climáticas. Porque o Painel admitiu que errou ao afirmar que as geleiras do Ártico se derreterão até 2035.
Se já não tivéssemos razões suficientes para preocupação com os problemas do lixo no país, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente trouxe mais uma: o Brasil é o país emergente que produz mais lixo eletrônico por pessoa. E esse tipo de lixo, quase sempre muito tóxico, não tem estratégia para ser cuidado, não é prioritário e faltam lugares adequados para seu descartado.
É paradoxal. Mas ao mesmo tempo em que chegam notícias cada vez mais graves sobre desastres climáticos no Brasil e em vários continentes, mais aumentam as dificuldades para se chegar a um acordo na Convenção do Clima que permita reduzir as emissões de poluentes da atmosfera e evite aumento maior da temperatura do planeta.
Com as discussões sobre o fracasso da reunião da Convenção do Clima, em Copenhague, passaram quase desapercebidas as discussões havidas ali sobre o gravíssimo problema da desertificação no mundo. A desertificação continua avançando cerca de 60 mil quilômetros quadrados por ano - uma área equivalente a um quarto do Estado de São Paulo. Mais de dois bilhões de pessoas já vivem em áreas com terras secas predominantes, que são 40 por cento da superfície da Terra.
Os 18 anos que o Repórter Eco está completando merecem algumas reflexões.Ele foi criado como um telejornal de 10 minutos, por causa do interesse em torno da Rio 92, que seria realizada em junho daquele ano, e da qual resultariam a Convenção sobre Mudanças Climáticas, a Convenção sobre a Diversidade Biológica e a Agenda 21 global. Mas o interesse dos espectadores foi tanto que logo o telejornal passou a ser um programa semanal de meia hora. E assim tem se mantido ao longo de 18 anos.
É preocupante. Mais uma grande obra na Amazônia, como a hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, recebeu licença de instalação, passando por cima de exigências legais e de advertências das comunidades locais, de ONGs, da Igreja, de grupos indígenas, do Tribunal de Contas da União, do Ministério Público e de dezenas de cientistas.
Começaram as comemorações, pela ONU, do Ano Internacional da Biodiversidade - embora haja muito pouco a comemorar, a não ser o avanço da consciência social em relação a esse tema.
Embora exista desde 1992 uma convenção mundial de proteção da biodiversidade, o desaparecimento de espécies continua em ritmo mil vezes maior do que aconteceria na natureza, sem interferência humana.
A cada dia, cresce nas universidades brasileiras a procura por cursos relacionados com a chamada área ambiental. E não é por acaso: o mercado de trabalho vai-se abrindo progressivamente a profissões relacionadas com conhecimentos nos chamados temas ambientais.
Já são muitos os alertas: se não mudarmos rapidamente e de forma radical nossa postura diante dos gravíssimos problemas de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos em prazo muito curto enfrentaremos situações muito difíceis para a população brasileira.
Segundo a Agência Nacional de Águas, dois terços das cidades brasileiras já operam no limite da capacidade de fornecer água à população.
A cada dia, fica mais evidente que precisamos repensar muitas das lógicas que ditam nossas atitudes - se quisermos encontrar caminhos que permitam enfrentar os gravíssimos problemas ambientais e outros que nos cercam.
2010 começa repleto de desafios para o Brasil na chamada área ambiental, que, na verdade, perpassa todas as outras. E o primeiro desses desafios é continuar reduzindo a área de novos desmatamentos na Amazônia, que em 2009 foi a menor em 21 anos.
Chega-se ao fim do ano com a pergunta: que se fará para enfrentar o aumento da população no mundo, já que esta crescerá pelo menos dois bilhões e meio de pessoas e passará de nove bilhões até 2050, com mais de um bilhão já passando fome; como alimentar tanta gente sem aumentar o já insustentável consumo de recursos e serviços naturais, sem prejudicar o clima.
A julgar pelo que têm dito até aqui os países membros da Convenção do Clima, não se chegará a um novo tratado na reunião de Copenhague. E, nesse caso, cabe perguntar: sem um novo tratado para substituir o Protocolo de Kyoto, que acontecerá com o mercado mundial de carbono, que surgiu desse Protocolo ?
As discussões sobre o clima na reunião preparatória de Barcelona e as programadas para o início de dezembro, em Copenhague, são decisivas para todos os países. Porque se não houver acordo para reduzir as emissões de gases que aquecem o planeta, os desastres climáticos se intensificarão muito. E eles já atingiram mais de 200 milhões de pessoas no ano passado e mataram dezenas de milhares.
Afinal, depois de décadas de olhos quase fechados, o governo brasileiro começa a prestar atenção ao Cerrado, o segundo maior bioma do país, com mais de dois milhões de quilômetros quadrados. Já não era sem tempo.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, essa mais rica savana do mundo está perdendo a cada ano mais de 21 mil quilômetros quadrados de sua vegetação, que já desapareceu em quase 50 por cento da área, quase um milhão de quilômetros quadrados.
Parece uma novela sem fim. Depois de anos, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o Brasil tem o direito de proibir a importação de pneus usados de países industrializados, para não aumentar o nosso lixo. Mas agora o Conselho Nacional do Meio Ambiente decidiu abrandar as regras de recolhimento de pneus usados pelos fabricantes nacionais e importadores de pneus novos.
Até quando os países mais ricos continuarão exportando seu lixo eletrônico para outros países, inclusive o Brasil - como aconteceu recentemente ? Até quando se praticará o chamado colonialismo da imundície ?
Estatísticas do Greenpeace dizem que a cada ano são produzidas 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico, principalmente nos países ricos, e que a maior parte desse lixo é exportada para países da África e Ásia, principalmente Nigéria, Índia e China.
Uma boa notícia: a partir do ano que vem, a União Européia usará vários indicadores para avaliar o desenvolvimento de um país - e não mais apenas o crescimento do produto interno bruto. Serão utilizados também indicadores sobre o nível de emissão de poluentes, contribuição para mudanças climáticas, geração de lixo, conservação da biodiversidade.
É importante , porque a economia passa a ser avaliada também pelo capital natural em cada país e o passivo ambiental que esse país produz.
As novas inundações e mortes no Sul do país e na cidade de São Paulo colocaram mais uma vez em evidência uma questão: a necessidade de adaptar cada cidade às mudanças do clima que já estão acontecendo e aos chamados eventos extremos, principalmente chuvas pesadas em curto espaço de tempo.No Sul do país, voltaram a acontecer desabamentos e mortes nas encostas de morro desmatadas. Em São Paulo também.
Continuam a gerar polêmicas leis de São Paulo e outros Estados que impuseram fortes restrições ao consumo público de tabaco. E o principal argumento é de que a legislação fere os direitos dos fumantes.
É um argumento difícil de sustentar. Os usuários de cigarros podem continuar fumando em suas casas e em outros recintos abertos ou fechados em que não prejudiquem outras pessoas.
Que conseqüências terá a entrada da senadora Marina Silva, ex- ministra do Meio Ambiente, nas discussões sobre a sucessão presidencial ?
Em princípio, pode ser bom. Porque colocará em evidência a discussão sobre os chamados temas ambientais, numa área em que só se costuma discutir o crescimento econômico, obras e questões sociais. Será um avanço a ênfase da ex-ministra nas críticas à falta da dimensão ambiental no Plano de Aceleração do Crescimento. Mas não é só.
É preciso ter muito cuidado. Corre-se o risco de retrocessos legais em várias áreas, como forma de superar deficiências do poder público ou abrir caminho para inovações técnicas questionáveis.
Por exemplo: estão sendo facilitadas as regras para aterros de lixo, com o propósito de reduzir o volume de resíduos que vai para lixões, cerca de 50% do total nacional. Pode-se ter algum avanço, mas também se pode legalizar soluções inadequadas.
Informações divulgadas pela Embrapa e por um estudo do WWF mostram que a expansão da agricultura e da pecuária no país pode ser feita sem necessidade de desmatar novas áreas na Amazônia e no Cerrado. Segundo a Embrapa, 170 milhões de hectares de pastagens no país já estão degradadas ou em processo de degradação. E segundo o WWF, 70 milhões de hectares podem ser destinados, sem prejuízo, à exploração agrícola.
Depois de dar uma boa notícia em relação ao vale do Araguaia - a de que não serão construídas três grandes hidrelétricas projetadas para esse rio -, o ministro do Meio Ambiente anunciou outra decisão problemática para o toda a região : a de se implantar ali uma hidrovia para transporte de cargas, principalmente soja.
Por que não se utilizam os conhecimentos das culturas da Amazônia, inclusive indígenas, quando se fazem planos para conservar a floresta ? Afinal, foram essas culturas que permitiram manter a floresta em pé durante séculos.
Na última reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC -, em Manaus, esse foi um dos muitos temas em discussão, quando se tratou do Museu da Amazônia, criado recentemente pelo governo do Estado do Amazonas.
São muito inquietantes as notícias mais recentes sobre os biomas do Pantanal do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e sobre o Cerrado. Estudo de cinco organizações conceituadas mostra uma perda progressiva da vegetação nas terras altas, onde está a cabeceira de muitos rios que tornam o Pantanal a maior área alagada do mundo, com uma biodiversidade que em grande parte só é encontrada ali. O avanço da cana de açúcar, da pecuária e da mineração é a causa.
Finalmente, o ministro do Meio Ambiente anunciou que não serão implantadas as usinas hidrelétricas projetadas para o rio Araguaia, inclusive nas proximidades da ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, que seria prejudicada.
As áreas que seriam inundadas constituem um patrimônio excepcional de beleza e recursos naturais.
São muito inquietantes as notícias que chegam do setor da pesca e das aqüiculturas - as culturas de peixes e camarões - no Brasil.
Primeiro , porque Secretaria Especial do setor, transformada em Ministério, pretende conseguir um forte aumento na pesca no mar. Segundo, porque estão sendo facilitadas no Conselho Nacional do Meio Ambiente as exigências para licenciar projetos de aqüicultura.
Nem mesmo notícias sobre a gravidade dos desastres climáticos no mundo conseguiram levar a um acordo global sobre redução de emissões de gases na reunião realizada em Bonn, na Alemanha.
O uso do amianto no Brasil continua a sofrer sucessivas derrotas
É muito preocupante que se estejam retomando as obras de construção da usina Nuclear Angra 3
Muita gente tomou como piada ou brincadeira a proposta do escritor e humorista Ziraldo, de que o poder público instale urinódromos nas cidades brasileiras. Mas não é brincadeira nem piada.
Quem pensa que é brincadeira, esquece-se de que nas grandes cidades pelo menos 30 por cento das pessoas se deslocam a pé, e não em transportes coletivos ou automóveis.
A perda de florestas no mundo continua sendo de 12 mil quilômetros quadrados por ano - uma área igual a oito municípios como São Paulo. E esse desmatamento é uma das causas importantes do aumento das emissões que influem nas mudanças do clima.
O último relatório divulgado é da Organização para a Alimentação e a Agricultura, da ONU, que manifesta muita preocupação.
Afinal, os institutos meteorológicos no Brasil estão admitindo que houve uma mudança no formato das chuvas no país: quase não se tem mais as chuvas miúdas que levavam dias seguidos, na estação das águas; agora são grandes volumes de água que caem num curto espaço de tempo. E provocam muitos desastres.
Voltou a ficar complicado o panorama dos alimentos transgênicos no Brasil. Primeiro, porque a Alemanha proibiu o plantio, lá, de uma variedade de milho transgênico, com o argumento de que ele prejudica polinizadores e outras espécies. Por isso, seria preciso respeitar o princípio da precaução.
A demarcação da reserva indígena Raposa-Serra do Sol em área contínua continua provocando manifestações contrárias, mesmo sabendo que esse direito dos índios é reconhecido desde as ordenações do governo português, há quatro séculos, e foi mantido em todas as constituições brasileiras, desde 1891.
E isso é inquietante, porque se esgota no fim do ano o prazo para definir um acordo que permita substituir o Protocolo de Kyoto e conduza a forte redução das emissões de gases poluentes que contribuem para as temidas mudanças climáticas.
Terminou, em Istambul, na Turquia, o Quinto Fórum Mundial da Água. E o tema central, mais uma vez, foi o da crise mundial de abastecimento e saneamento.
Um dos Objetivos do Milênio, aprovados pela ONU, é o de até 2015 reduzir à metade a parte da população mundial que não tem acesso a água de boa qualidade - mais de um bilhão de pessoas. Mas esse número vem aumentando.