Na recente conferência Rio + 20, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente voltou a manifestar preocupação com o agravamento dos problemas da água no mundo: mais de um bilhão de pessoas sem água de boa qualidade; mais de dois bilhões e meio sem redes de esgotos; a cada ano um milhão e quatrocentas mil crianças morrem por causa de doenças veiculadas pela água. E o problema vai agravar-se, porque a demanda por água vai aumentar 40% em 20 anos.
O Brasil não é exceção. O último relatório da Agência Nacional de Águas, também divulgado ali, afirma que só menos de metade dos esgotos gerados no país são coletados por rede; e do que é coletado, só 30% são tratados. O despejo de esgotos não tratados é a principal causa de poluição nos rios. 7% dos pontos de captação de água monitorados têm qualidade ruim ou péssima. E só em 6% dos pontos a qualidade da água é ótima. Mas a situação é pior em cerca de um terço dos pontos nas regiões de Curitiba, Campinas e Goiânia. E seria preciso investir quase 50 bilhões de reais para mudar o quadro.
Muito preocupante é a situação na região amazônica. 90% dos 275 municípios nem têm redes de coleta e tratamento de esgotos. Na região de Manaus, por exemplo, esgotos são despejados no rio Negro, em pontos acima daqueles onde a água para abastecimento é captada. E 2.500 toneladas de mercúrio altamente tóxico já estão acumuladas em rios nas atividades mineradoras. Na bacia Araguaia-Tocantins só 8% da população contam com redes de esgotos.
É evidente que o planejamento governamental no Brasil precisa ser revisto. Não se pode dar prioridade apenas a obras que levem ao crescimento econômico. A saúde da população tem de ser prioritária.
Exibido em 29/7/2012
Autor: Washington Novaes
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