Conteúdo enviado por Italo Esper
Tenho-me calado.
Tenho-me os olhos fechados.
Tenho-me o ouvido tapado.
Tenho-me os punhos amarrados.
Cegamente sigo sem saber,
O porquê de minha inércia,
Do meu peito trancado,
Desse mundo em controvérsia.
Essa terra que outrora foste de ninguém,
E que a todos sedia firme chão.
Hoje me és arrancada com desdém,
Por aquele que poderia ser meu irmão.
Calado eu permaneço vivo.
Rendido a tirania capital.
É muito trabalho e pouco pão.
Sangue e suor lhes ofereço num ritual.
De joelhos me tenho agachado.
O espaço é curto pra me levantar.
Propriedade para mim é raro.
Venderam até mesmo meu pensar.
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