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Provocações

Terça, às 23h

Um grito

Conteúdo enviado por Bruno Geraldo da Silva

Bruno Geraldo da Silva Arte & Cultura

22/11/11 14:59 - Atualizado em 22/11/11 14:59

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Um grito. Um brado para dentro que ninguém ouve. Um andar perdido em meio a multidão que passa sem parecer ter rumo. Para onde vão todos? E esses carros? A senhora com o cachorro onde vai? Diga-me qual é última parada dessa linha.
Um grito. Um olhar que tudo vê e nada enxerga. Um desabrochar de misérias humanas boiando no mar da ignorância do eu. Ah a decepção! Que bom que nos decepcionamos com as pessoas. Triste seria se o outro vivesse preso a tua concepção do que é certo. A maior das prisões é achar que está liberto. Tua liberdade te faz refém.
Um grito. Um fazer que não ocupa o ócio. Um ganhar que inunda o ser com nada. Porque nada também preenche, às vezes mais do que o tudo. Imediatismo barato que ilude e rouba quem prefere o rápido, o raso, o momentâneo. O que é ganhar? Quem sabe venha a tua cabeça o dinheiro, o sorteio da loteria da Babilônia, uma linguagem secreta de cifras.
Um grito. Um cair que fratura a alma. Um amar que não é paciente. Se quer perfeição, aquilo que já está pronto, não se está disposto a renunciar com o outro. Vai se transformando em um campo minado. Sábio apóstolo Paulo, "o amor tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo vence. O amor jamais se enfraquece", senão venceu não era amor, quem sabe status, necessidade, egoísmo.
Um grito. Um imaginar com a mão. Um sistema com muita informação e pouco conhecimento. Quantos cliques a senhora do cachorro deu hoje? Clica-se roboticamente. Que alguns loucos sobrevivam ao não imaginar.
Um grito órfão, indigente, marginal, que não ecoa ou reverbera. Um dia quem sabe adotem o grito, apesar de preferirem um sussuro.
 

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