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Provocações

Terça, às 23h

Resíduo

Conteúdo enviado por Daniela Lima

Daniela Lima Arte & Cultura

16/12/11 15:09 - Atualizado em 16/12/11 15:09

Website:http://danielalima.com/

Mensagem: E as palavras eram uma tempestade seca, irrespiráveis; estiagem de caminhos, pedras, troncos, estrada de chão; e eu desdobrava a minha solidão diante dos seus olhos – estes, sim, espelhos d’água.

Os cabelos e as unhas crescem e eu não percebo; não percebo o tempo e as vozes que ecoam olás e tudobens sem acabamento. Um tecido grosso cobre as palavras e os sentimentos – os verdadeiros sentimentos adormecem na rotina e: estou bem, e você? Não, não está tudo bem. E o mundo se choca com o meu corpo coroado de limo; com a minha boca que é só fuligem e estilhaços de carvão. Tudo é negro e o universo não silenciou; o universo, meu amor, sempre esteve em silêncio, vê?

Não sei como explicar a aparente falta de contornos entre os dias: véu negro trocando incessantemente de lugar com essa poça de luz. E o meu corpo acompanhando as mudanças com sorriso e entusiasmo de criança; e farfalhar de lágrimas.

[Mas toda a inquietação termina;
a existência que desabrocha em vida,
quando o seu corpo alimenta o meu coração miúdo de pássaro azul]

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