Dúvida - uso do verbo haver
“Caros, boníssima tarde. Já me vali do conhecimento do pessoal deste site para tirar algumas dúvidas minhas. Volto a solicitar auxílio. Li na revista IstoÉ desta semana (18/10) uma matéria sobre Lima Barreto. Nela, estranhei o seguinte trecho: ‘Nascido em 13 de maio de 1881, ou seja, há exatos sete anos da Abolição da Escravatura’. Quer me parecer que o uso do verbo haver está inadequado. Poderiam me oferecer um parecer, por gentileza? Meus agradecimentos pela atenção, meus votos de muito sucesso e meus parabéns pelo trabalho.”
Serg Smigg, Assessor de Comunicação
da Secretaria Municipal da Ação Cultural.(Caieiras/SP)
Resposta
Caro Serg:
Você tem razão. O pessoal da IstoÉ confundiu-se com o emprego do verbo haver para fazer indicações temporais. O ideal, no padrão culto da língua, seria dizer: “Nascido em 13 de maio de 1881, ou seja, a exatos sete anos da Abolição da Escravatura”.
Mas há uma explicação para este cochilo. O verbo haver é usado para indicar tempo transcorrido, em construções cuja referência temporal se inicia no passado. Como, no contexto da reportagem, estamos “em 13 de maio de 1881”, o redator supôs que deveria utilizar o verbo haver. Acontece que a Abolição da Escravatura é um acontecimento futuro em relação ao nascimento de Lima Barreto, donde o equívoco da expressão “há exatos sete anos”. Teria cabimento dizer algo assim: a Abolição da Escravatura ocorreu em 13 de maio de 1888; havia exatos sete anos que Lima Barreto nascera...
Uma dica: quando o verbo haver é empregado com esse valor temporal, ele pode ser trocado pelo fazer. É um artifício interessante para percebermos que o texto da IstoÉ apresenta um problema normativo. Seria insólito escrever: “Nascido em 13 de maio de 1881, ou seja, faz exatos sete anos da Abolição da Escravatura”.
Um abraço
Prof. Eduardo CalBUCCI
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O programa tem como tema central o humor.O professor Eduardo Calbucci fala sobre o uso do duplo sentido usado, geralmente, nos textos de humor e outros aspectos da língua que podem ser explorados com efeito humorístico.
Professor Eduardo Calbucci é o novo consultor de conteúdo do Nossa Língua.
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