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Fernando Faro

Criador e diretor dos programas MPB Especial, Ensaio e Móbile, Faro inovou a linguagem televisiva da década de 1960

Música

31/08/11 08:08 - Atualizado em 31/08/11 08:08

Fernando FaroFaro tentou a carreira de Direito, mas abandonou os bancos da Faculdade do Largo de São Francisco. Desistiu da idéia de ser advogado para seguir sua vocação de menino: a de jornalista. Se tornou um dos homens mais importantes da Música Popular Brasileira na televisão. Em 1949, foi contratado como repórter geral do periódico “A Noite” e não demorou muito a ser convidado para fazer críticas de cinema e teatro no Jornal São Paulo, de propriedade de Ademar de Barros. Em 1950, passou a trabalhar na Rádio Cultura produzindo e apresentando o programa Ribalta, que trazia notícias de teatro e radiofonizava peças de vanguarda com o elenco de rádio-teatro. Exibiu, pela primeira vez no Brasil, textos de Camus,  Elliot, Claudel, entre outros.

Na TV Paulista, em 1958, assumiu o cargo de editor-chefe de telejornal, mas escreveu também o teledrama “Inácio Bandoleiro”, baseado em histórias verídicas de antigas gerações de sua família. Na década de 60, procurou novos caminhos na TV Tupi e Cassiano Gabus Mendes lhe deu dois presentes: o apelido carinhoso de Baixo, que virou marca registrada de Faro - passou a chamar a todos de “Baixo e Baixa”; e um contrato de dois anos ao adaptar a jornada de “O Tempo e O Vento”, de Érico Veríssimo.

Na televisão, o incansável e múltiplo Fernando Faro escreveu, dirigiu, produziu e ainda trabalhou em agências de publicidade para aumentar a renda familiar. Com sua obstinação e profissionalismo, construiu uma carreira sólida na televisão tendo sido responsável por programas memoráveis como “TV Vanguarda”, “Móbile”, “Divino e Maravilhoso” e “Ensaio”, entre outros. Como diretor musical, realizou o Festival Universitário, o Festival de Música Popular e o Festival da Viola. Só saiu da Tupi quando a emissora decretou falência, na década de 1980.

Foi convidado para trabalhar na TV Cultura, Record, Bandeirantes, Manchete e Globo, e transformou em amigos os profissionais com quem conviveu. Fazem parte de lista, Mino Carta, Chico Buarque, Caetano Veloso, Manoel Carlos, Juca de Oliveira, Paulo Vanzolini, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Toquinho entre tantos outros.

Na área musical, criou uma nova estética com o programa “MPB Especial”, em 1968, da TV Tupi, ao utilizar close e big close em diversas partes do rosto do artista, mostrando apenas uma região como orelha, olhos, boca, nariz ou mãos. Foi também responsável por grandes shows que reuniam cerca de 60 a 70 artistas, entre eles Ney Matogrosso, Dorival Caymmi, Gal Costa, Chico Buarque, Marcos Valle e muitos outros. Os que mais se projetaram foram: "Primeiro de Maio", "Shows Kalunga" em Angola, Roma , Buenos Aires e shows latino americanos no Memorial da América Latina. Fernando Faro costuma dizer que “show é como uma peça de teatro, tem que ter começo, meio e fim”
 

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