Série especial do JC trouxe diversos aspectos da droga que já está presente em 9 de cada 10 cidades brasileiras.
Uma dura realidade pode ser vista por qualquer pedestre que transite pela Rua Hélvetia, no centro de São Paulo. Jogados no chão, marginalizados pelo consumo excessivo de entorpecentes, centenas de usuários buscam fugir daquela realidade por meio de uma mistura de cocaína, bicarbonato de sódio e água. Tal mistura forma uma pedra de aspecto branco, que é fumada com um cachimbo improvisado. Em menos de 15 segundos, a droga faz seu efeito e causa graves danos à saúde de quem a usa.
Mas não é apenas em São Paulo que o problema ocorre. A “epidemia do crack” está presente em 9 de cada 10 cidades brasileiras, o que é extremamente alarmante. Outro dado preocupante é de que existem no Brasil 1 milhão e 200 mil usuários da droga.
Se os especialistas apontam que o álcool é a porta de entrada para o mundo das drogas, não há dúvidas que o crack é um corredor em direção à morte. Os seus efeitos são devastadores e podem viciar o indivíduo que a consome em apenas uma utilização. Entre as conseqüências graves causadas pelo uso estão a psicose, alucinações e perda de neurônios, o que compromete a memória, a concentração e até mesmo a inteligência do indivíduo.
O crack não é apenas um problema de saúde. Ele está envolvido diretamente com problemas sociais. O impacto também chega a afetar a segurança pública, pois nas regiões onde há crack, o número de roubos e assaltos é bem elevado.
O grande problema é sair deste mundo, pois se reabilitar não é tarefa simples. “É um eterno tratamento”, diz André, usuário que tenta largar o vício, e atualmente está na sua 8º internação. Ele ainda confessa: “Tenho que me vigiar todos os dias”. André buscou o tratamento. Mas e quem não quer lagar deste vício altamente prejudicial à saúde?
O que tem sido debatido ultimamente é a internação compulsória, ou seja, internar o usuário contra a vontade própria. No Rio de Janeiro, uma medida que permite tal atitude por parte do poder público foi aprovada. Um programa de combate ao crack foi aprovado no começo de dezembro, prevendo a internação compulsória.
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