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O épico de uma sociedade fraturada e contraditória

Em um tempo sem heróis, Tolstói trouxe para o primeiro plano da literatura os dramas de consciência do sujeito moderno, em Guerra e Paz.

Bárbara Dantine Arte & Cultura

19/01/12 18:50 - Atualizado em 19/01/12 18:50

tolstoi

Um panorama preciso da Rússia durante as guerras napoleônicas. Essa é a essência de Guerra e Paz, de Liev Tolstói, que possui as características de um romance histórico, ao narrar as verdadeiras batalhas da época, sem deixar a ficção sobre a vida na corte de lado.

Guerra e Paz é um dos maiores clássicos da história da literatura, frase que pode ser entendida literalmente já que estamos falando de mais de 2500 páginas da primeira tradução brasileira feita diretamente do russo.

O Conde Liev Tolstói como indivíduo, pode ser considerado de um cristianismo peculiar, uma espécie de anarquismo evangélico que foi transmitido para as suas obras com fortes influências de Rousseau. O autor se comparou com Homero e falou do romance épico como uma espécie de Ilíada russa.

Tolstói não precisa ser modesto na comparação já que Guerra e Paz possui um estilo preciso, elegante, que conta com a imaginação e talento insuperável do autor para criar personagens e enredos.

Um dos focos principais do livro, se é que é possível falar em um, é quando diante da guerra, os personagens percebem a virtude essencial do homem comum, as qualidades do homem simples, colocando em xeque a mentira e os jogos diplomáticos da sociedade, análise que é um elemento comum em outras obras do autor.

Não é crime achar o livro em alguns momentos cansativo, sendo que Tolstói foi criticado pelas longas digressões teóricas inseridas no meio de sua narração. Mas as reflexões sobre o significado da história, a fina análise da sociedade czarista, as teorias sobre educação e sobre o papel da Rússia no desconcerto nas nações, fazem da obra um romance pleno, podendo ser colocado ao lado de Ulysses, de Joyce, e de Em Busca do Tempo Perdido, de Proust.

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