O escritor Ferréz, autor de “Capão Pecado” e “Manual Prático do Ódio” fala de seu novo livro

Ferréz acaba de lançar um novo livro, chamado “Deus Foi Almoçar”, oito anos após sua última obra. Com uma estética diferente dos seus outros trabalhos e uma mudança na temática, já que o autor ficou conhecido por falar de periferia e violência em um enredo com muitos personagens, “Deus Foi Almoçar”, por sua vez, traz um personagem central e seus conflitos internos.
O protagonista Calixto é um homem que passa por várias transformações, como o fim do casamento, o afastamento da filha e outras situações às quais ele estava acostumado e não queria que mudassem. Ferréz afirma que o livro tem uma pergunta como provocação: Quanto você consegue aceitar as mudanças que acontecem na sua vida?
Para o escritor, geralmente os livros trazem personagens construídos, que são aqueles que tomam as decisões, que agem e fazem coisas que os leitores não teriam coragem de fazer em suas vidas. Em seu livro, Ferréz quis mostrar um personagem em desconstrução, que não toma atitudes e é passivo em relação aos acontecimentos ao seu redor.
Sobre a mudança de tema, o autor conta que o seu mundo é a periferia e que, quando escreveu “Manual Prático do Ódio”, ele sentiu que tinha acabado tudo o que ele tinha para falar sobre esse assunto. Outro motivo é o estigma que o ligava aos temas de âmbito social: “Eu sou militante, tenho um compromisso social muito forte, mas preciso ter tempo para a minha literatura”, afirma Ferréz. A imagem que criou publicamente, de um escritor do Capão Redondo, diminuía a atenção em seus gostos literários como Gustave Flaubert e Hermann Hesse. Ferréz conta que em uma palestra sua, com uma hora de duração, 59 minutos eram sobre temas sociais, o que o fez sentir-se aprisionado em um só tema.
A versatilidade do autor pode ser comprovada, já que ele também acaba de lançar seu segundo livro infantil, “O Pote Mágico”, que retrata um universo que, segundo ele, está cada vez mais raro: o das brincadeiras de rua. Ele afirma: "As crianças ficam dentro de casa, cercadas de tecnologia, já que a rua se tornou muito perigosa".
Assista à entrevista de Ferréz no Metrópolis:
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“Entrelinhas – Confluências entre Música e Literatura” aborda as relações do repertório erudito com livros de autores clássicos e contemporâneos. Apresentado pelo jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto, o programa também destaca paixões musicais e literárias de autores e compositores. Um espaço reservado para a literatura em sintonia com o clássicos.
O romancista, contista e poeta Ferréz abre o estúdio 'Um da Sul' para ensaios livres.
A mostra traz obras de artistas como Debret, Rugendas e Marc Ferrez para formar um panorama da vida do escravo no Rio de Janeiro. São cenas que mostram a integração de um povo numa outra cultura a partir de uma situação imposta pela escravidão. A exposição está no Museu Afro Brasil.
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Nesta edição, o Entrelinhas vai ao encontro do escritor e crítico musical, Lauro Machado Coelho para um bate-papo sobre sua obra que vai desde biografia de grandes compositores como Bela Bartok e Hector Berlioz até a sua coleção de poesia soviética. Ainda em pauta, Lauro comenta as obras de Shostakovich e Anton Bruckner e seu primeiro contato com a música erudita ainda na infância, através do Concerto para piano n°2 de Beethoven.
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