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A espionagem

(Continuação)


A Segunda Guerra e a espionagem dos EUA

No lado norte-americano também houve um crescimento formidável dos serviços secretos. Durante a Segunda Guerra o governo criou a OSS, sigla em inglês de "Divisão de Serviços Estratégicos". Foi a primeira tentativa de centralizar um serviço de espionagem e informações. Mesmo assim, o Exército, a Marinha, a Força Aérea e o Departamento de Defesa mantiveram seus próprios esquemas de informação. Depois da guerra, havia nos Estados Unidos um consenso de que era mesmo necessário reunir todos esses serviços. Faltava apenas decidir até que ponto a centralização aconteceria, e qual o nível do poder dessa nova agência de espionagem. O acordo entre os diversos setores interessados foi fechado em setembro de 1947, ano em que surgiu a CIA, sigla em inglês de "Agência Central de Inteligência".


CIA e FBI

A CIA, no início, funcionava em coordenação com o Departamento de Defesa e com o Conselho de Segurança Nacional. Criou-se a noção de uma comunidade de informações, da qual a CIA tornou-se a principal expoente. Em pouco tempo a agência tinha um quadro de milhares de funcionários, a um custo anual de 5 bilhões de dólares. Na mesma época, o FBI, Birô Federal de Investigação, a polícia federal dos Estados Unidos, marcava presença em ações inspiradas pelo clima de "caça às bruxas" desencadeado pelos setores conservadores da política americana. Esse clima agravou-se em 1949, com o julgamento e condenação do ex-funcionário do Departamento de Defesa Alger Hiss, acusado de fornecer segredos de Estado aos soviéticos.

Em 1950 foi anunciada a prisão do físico inglês Klaus Fuchs, um dos principais pesquisadores de energia atômica do laboratório americano de Los Alamos. O FBI descobriu o envolvimento de Fuchs com o Partido Comunista e com o vazamento de informações confidenciais para Moscou. O caso foi considerado da mais extrema gravidade pelo governo dos Estados Unidos.

Ethel Rosenberg: culpa jamais comprovada
Em julho de 50, o FBI prendeu o engenheiro elétrico Julius Rosenberg e sua mulher, Ethel, suspeitos de participação no "esquema Fuchs". Mesmo alegando inocência até o fim, e apesar de inúmeros apelos em sua defesa, o casal foi condenado à morte e executado em junho de 53. A culpa do casal Rosenberg jamais seria comprovada.
Ainda nos anos 50, o FBI deu suporte técnico à histeria anticomunista deflagrada pelo macartismo, que atingiu em cheio os principais setores culturais dos Estados Unidos. Inúmeros escritores, produtores e artistas foram banidos da vida cultural americana. Enquanto o FBI cuidava exclusivamente de assuntos internos dos Estados Unidos, a CIA desenvolvia ações no exterior, coletando informações sobre diversos países, aliados ou não, e realizando atividades de contra-espionagem. Criou também um departamento para operações secretas e trabalhos de guerra psicológica mundo afora.


A CIA e as ações internacionais

Em 1953, agentes da CIA envolveram-se na deposição do primeiro-ministro nacionalista iraniano Mohamed Moussadegh. O premiê havia nacionalizado a companhia anglo-americana de petróleo e estava em franca oposição ao xá Reza Pahlevi, simpático aos Estados Unidos. Com a queda de Moussadegh, o xá implantaria uma das mais sangrentas ditaduras militares do planeta. Em 1954, a CIA estava presente na Guatemala. Patrocinou um golpe para derrubar o presidente Jacobo Arbenz, autor de um ambicioso programa de reforma agrária e responsável pela expropriação da companhia americana United Fruit. Com o auxílio da ditadura de Anastasio Somoza, da vizinha Nicarágua, a CIA armou alguns generais rebeldes, que depuseram Arbenz e instauraram uma ditadura que duraria quatro décadas.

Powers: espião apanhado em flagrante
Em maio de 1960, a defesa soviética derrubou em seu espaço aéreo um avião americano U-2. Os Estados Unidos tentaram negar a ação de espionagem, mas foram confrontados com a apresentação do próprio piloto, Gary Powers, capturado no incidente. Foi o primeiro episódio envolvendo o U-2, um avião de espionagem capaz de captar imagens de pequenos objetos na superfície da Terra, mesmo voando em grandes altitudes.
Gary Powers foi libertado numa troca de prisioneiros, uma das práticas mais obscuras da Guerra Fria. Nas negociações para a troca de espiões, era comum o uso de chantagens e de agentes duplos. Apesar disso, um bom negócio para os dois lados, que recuperavam agentes bem informados e o dinheiro investido em seu treinamento.


A CIA em Cuba

Outro caso envolvendo a "mão negra" da agência americana aconteceu em abril de 1961. O governo de Washington, preocupado com uma possível disseminação do movimento revolucionário de Fidel Castro, acionou a CIA para uma ação em Cuba. A agência treinou e forneceu armas a 1.500 cubanos exilados em Miami. A invasão da Baía dos Porcos, para a derrubada de Fidel, terminou em fracasso e provocou desgaste na imagem do presidente John Kennedy. Além disso, setores expressivos da opinião pública ficaram surpresos com o nível de interferência da CIA em outros países. A tensão aumentou ainda mais em 62, com a crise dos mísseis de Cuba. Pilotos de aviões tipo U-2 americanos detectaram nas proximidades de Cuba movimentos que indicavam a intenção dos soviéticos de instalar bases nucleares em território cubano. Os soviéticos desistiram da idéia, mas por duas semanas deixaram o mundo na expectativa de um confronto nuclear entre as superpotências.

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