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A Segunda Guerra e a espionagem dos EUA No lado norte-americano também houve um crescimento formidável dos serviços secretos. Durante a Segunda Guerra o governo criou a OSS, sigla em inglês de "Divisão de Serviços Estratégicos". Foi a primeira tentativa de centralizar um serviço de espionagem e informações. Mesmo assim, o Exército, a Marinha, a Força Aérea e o Departamento de Defesa mantiveram seus próprios esquemas de informação. Depois da guerra, havia nos Estados Unidos um consenso de que era mesmo necessário reunir todos esses serviços. Faltava apenas decidir até que ponto a centralização aconteceria, e qual o nível do poder dessa nova agência de espionagem. O acordo entre os diversos setores interessados foi fechado em setembro de 1947, ano em que surgiu a CIA, sigla em inglês de "Agência Central de Inteligência".
CIA e FBI A CIA, no início, funcionava em coordenação
com o Departamento de Defesa e com o Conselho de Segurança Nacional.
Criou-se a noção de uma comunidade de informações,
da qual a CIA tornou-se a principal expoente. Em pouco tempo a agência
tinha um quadro de milhares de funcionários, a um custo anual de
5 bilhões de dólares. Na mesma época, o FBI, Birô
Federal de Investigação, a polícia federal dos Estados
Unidos, marcava presença em ações inspiradas pelo
clima de "caça às bruxas" desencadeado pelos setores conservadores
da política americana. Esse clima agravou-se em 1949, com o julgamento
e condenação do ex-funcionário do Departamento de
Defesa Alger Hiss, acusado de fornecer segredos de Estado aos soviéticos.
A CIA e as ações internacionais Em 1953, agentes da CIA envolveram-se na deposição do primeiro-ministro nacionalista iraniano Mohamed Moussadegh. O premiê havia nacionalizado a companhia anglo-americana de petróleo e estava em franca oposição ao xá Reza Pahlevi, simpático aos Estados Unidos. Com a queda de Moussadegh, o xá implantaria uma das mais sangrentas ditaduras militares do planeta. Em 1954, a CIA estava presente na Guatemala. Patrocinou um golpe para derrubar o presidente Jacobo Arbenz, autor de um ambicioso programa de reforma agrária e responsável pela expropriação da companhia americana United Fruit. Com o auxílio da ditadura de Anastasio Somoza, da vizinha Nicarágua, a CIA armou alguns generais rebeldes, que depuseram Arbenz e instauraram uma ditadura que duraria quatro décadas.
A CIA em Cuba Outro caso envolvendo a "mão negra" da agência americana aconteceu em abril de 1961. O governo de Washington, preocupado com uma possível disseminação do movimento revolucionário de Fidel Castro, acionou a CIA para uma ação em Cuba. A agência treinou e forneceu armas a 1.500 cubanos exilados em Miami. A invasão da Baía dos Porcos, para a derrubada de Fidel, terminou em fracasso e provocou desgaste na imagem do presidente John Kennedy. Além disso, setores expressivos da opinião pública ficaram surpresos com o nível de interferência da CIA em outros países. A tensão aumentou ainda mais em 62, com a crise dos mísseis de Cuba. Pilotos de aviões tipo U-2 americanos detectaram nas proximidades de Cuba movimentos que indicavam a intenção dos soviéticos de instalar bases nucleares em território cubano. Os soviéticos desistiram da idéia, mas por duas semanas deixaram o mundo na expectativa de um confronto nuclear entre as superpotências. |