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Primavera de Praga
       

Alexander Dubcek, o reformador e estadista da Checoslováquia, lidera as forças de libertação em 1968, na famosa Primavera de Praga. É expulso do Partido Comunista, mas, vinte anos depois, volta ao cenário político.

Praga, 1989. As imensas manifestações populares que resultam na Revolução de Veludo puseram fim a vinte anos de totalitarismo. A União Soviética, que controlava a Checoslováquia desde 1968, dessa vez não envia seu exército. O povo checoslovaco elege presidente um homem que tinha sido preso como dissidente pelos soviéticos. É o dramaturgo Vaclav Havel. Alexander Dubcek é eleito presidente do Parlamento Checoslovaco.

Em 1968, Dubcek foi nomeado secretário do Partido Comunista da Checoslováquia, quando Ludwuig Svoboda era presidente. A Primavera de Praga começa. Dubcek introduz uma série de reformas econômicas e políticas, inclusive abolição da censura e maior liberdade de expressão. Os que estavam presos injustamente são reabilitados e os sindicatos tornam-se independentes do Partido Comunista. Moscou não aprova esses atos liberalizantes, e Leonid Brejnev manda um aviso para Dubcek.

Os soviéticos e outras tropas do Pacto de Varsóvia agrupam-se na fronteira. Mas, a ameaça de invasão não detém o movimento democrático.

O manifesto de duas mil palavras exige uma liquidação total do antigo regime. Outros países do Pacto de Varsóvia tentam deter Dubcek. Mas o presidente Tito, da Iugoslávia, e o ditador Ceaucescu, da Romênia, que também quer distanciar-se de Moscou, apóiam essa nova imagem de um socialismo mais humano.

Em 20 de agosto de 1968, na calada da noite, os tanques soviéticos entram em Praga e milhares de paraquedistas soviéticos caem no campo de pouso. Na manhã de 21 de agosto, duzentos mil soldados do Pacto de Varsóvia - da Bulgária, Hungria, Rússia, Alemanha Oriental e Polônia - ocupam Praga. Uma semana depois, serão seiscentos mil. São enviados para Praga sete mil e quinhentos tanques e onze mil canhões.

O povo checo tenta desesperadamente convencer os soldados a passar para o seu lado, em vão. Milhares de pessoas são presas. Do ponto de vista militar, a operação é um sucesso. Estava preparada desde julho pelas altas patentes do governo soviético. Mas, politicamente, a invasão tem efeito contrário. O povo checo torna-se ainda mais hostil aos soviéticos e o forte movimento de protesto continua.

Dubcek vai a Moscou, onde lhe garantem que as tropas deixarão a Checoslováquia se as reformas liberalizantes pararem. Ele aceita os termos, mas seus esforços não satisfazem os chefes soviéticos.

Em 1969, alguns meses depois da retirada das tropas do Pacto, Dubcek é substituído por um presidente pró-soviético, Gustav Husak. Um ano depois, Dubcek é expulso do Partido Comunista.

Em 1989, um maciço levante popular que inicia a Revolução de Veludo força o governo comunista de Husak a renunciar. É eleito um novo Parlamento e Alexander Dubcek, que estava afastado da política, é eleito seu novo presidente.

Embora as sementes da Revolução de Veludo levassem muito tempo para germinar, tinham sido semeadas havia vinte anos, com a Primavera de Praga.